Em 1666, a cidade de Londres na Inglaterra sofreu com o maior incêndio de sua história. O fogo começou na madrugada do dia 2 de setembro e, após quatro dias, um terço da cidade havia queimado e um em cada cinco habitantes estava desabrigado.

O Incêndio começou em uma padaria e se alastrou para as edificações vizinhas. Na época, não havia um corpo de bombeiros organizado e o controle de incêndios consistia na população se organizar para combater o fogo com barris de água e na derrubada de casas para impedir o avanço das chamas.

Derrubar as casas das pessoas era, obviamente, uma medida bastante impopular. O prefeito de Londres relutou o quanto pôde antes de dar a ordem de derrubada, o que possibilitou o avanço das chamas comprometendo boa parte da cidade, inclusive edificações de grande porte como igrejas e prédios da administração real. Ao todo, quarenta e quatro prédios públicos, oitenta e sete igrejas e treze mil e duzentas casas foram destruídas.

A classe mais atingida foi justamente a mais pobre, pelas características do bairro e o material de construção das casas. As construções da cidade eram, em sua maior parte, feitas de madeira, sem espaços laterais e organizadas em ruas muito estreitas, o que facilitou a propagação do incêndio pelo distrito de Westminster e alguns subúrbios adjacentes.

A cidade levou cinquenta anos para se reconstruir. Na época, houve uma contagem de seis mortos. Mas hoje já é tido como certo, pelos historiadores, que o número foi muito maior e que as estatísticas de vítimas fatais foram baixas porque os cidadãos pobres e de classe média não eram contabilizados. O estado dos escombros encontrados após a tragédia indica que famílias inteiras podem ter morrido queimadas, sem que pudessem ser posteriormente identificadas.

“Os ingleses da época não tinham o hábito de fazer atestados de óbito para as pessoas mais pobres, o que inviabilizou qualquer levantamento realista do número de vítimas.” (Superinteressante, 2016)

Embora o grande incêndio de Londres tenha sido uma tragédia, houve um progresso a nível urbanístico e a nível da segurança contra incêndio, uma vez que a reconstrução da cidade possibilitou o planejamento de ruas mais largas e a construção de casas de pedra, ao invés de madeira, tornando toda a área mais segura.

Em 2016, o artista David Best criou uma réplica da Londres de 1666. A Escultura foi propositalmente incendiada no dia 4 de setembro, data do 350º aniversário do Grande Incêndio de Londres. (Globo, 2016)

Réplica da Cidade de Londres (1666) em chamas.

Referências

Globo, O. www.oglobo.com [Online]. – 9 de setembro de 2016. – 23 de junho de 2019. – https://oglobo.globo.com/cultura/replica-de-madeira-de-londres-queimada-para-marcar-incendio-historico-20055492

www.elondres.com [Online]. – 20 de novembro de 2013. – 23 de junho de 2019. – https://www.elondres.com/o-grande-incendio-de-londres-em-1666/

Superinteressante. O Grande Incêndio. Editora Abril: 2016. Disponível em https://super.abril.com.br/historia/o-grande-incendio/

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Como referenciar este texto:
Minervino, Bernardete. O Grande Incêndio de Londres – 1666. Segurança Contra Incêndio, 2023. Disponível em: https://segurancacontraincendio.com/historico-de-incendios/

O maior incêndio ocorrido no Brasil, tanto em proporção quanto em número de vítimas, foi o incêndio do Gran Circo Norte-Americano, em 17 de setembro de 1961, na cidade de Niterói/Rio de Janeiro.

Era a sessão de estreia do circo na cidade e as arquibancadas e camarotes estavam completamente lotados. Ao todo, mais de três mil pessoas estavam presentes para assistir ao espetáculo. Naquela época ainda não havia ainda nenhuma legislação a respeito de segurança contra incêndio ou saídas de emergência para as edificações permanentes ou provisórias.

A área de apresentação possuía apenas duas saídas. A abertura principal, que servia como entrada e saída do público, e uma saída atrás do picadeiro, sendo que esta última era desconhecida pelo público.

Após o início do incêndio, a maior parte das pessoas se dirigiu à saída principal, o que causou tumulto e retardou o descolamento até a área externa. As barreiras instaladas para separar a arquibancada dos camarotes também foram obstáculos para a fuga da plateia. Uma terceira saída foi aberta, acidentalmente, pela elefanta Semba, que correu para se salvar e acabou abrindo uma brecha na lona por onde muitas pessoas puderam sair. Infelizmente, Semba acabou pisoteando várias pessoas no caminho até conseguir sair da lona.

O fogo avançou sobre a lona com muita velocidade, pois ela era feita de material combustível (tecido de algodão e uma camada de parafina), além das arquibancadas que eram de madeira e a serragem no piso, que ajudaram a alimentar as chamas.

O tempo de incêndio foi muito curto, a lona de algodão parafinado queimou em menos de dez minutos.

Quando a notícia do incêndio se espalhou pelo rádio, muitas pessoas se dirigiram para o local do incêndio para ajudar no que fosse possível. Em meio à confusão, os locais mais próximos viraram enfermarias ou necrotérios improvisados. A polícia isolou o local do incêndio para que as equipes médicas pudessem percorrer os destroços e encontrar sobreviventes. Os bombeiros resfriaram o local para proteger as vítimas e as equipes de resgate.

As investigações posteriores concluíram que o incêndio foi proposital. Um ex-funcionário do circo, insatisfeito por ter sido demitido, ateou fogo à lona com a ajuda de um comparsa. Adilson Marcelino Alves, o Dequinha, e Walter Rosa dos Santos, o Bigode, foram condenados a dezesseis anos de prisão. Dequinha, o principal responsável pelo incêndio, fugiu da cadeia em 1973, mas foi assassinado alguns dias depois com diversos tiros e enterrado como no mesmo cemitério que recebeu as vítimas do incêndio.

O número oficial de vítimas do incêndio no Gran Circo Norte-Americano é de 503 mortos, dos quais a maioria eram crianças. Embora haja especulações de que o número seja maior, uma vez que muitos corpos foram enterrados sem identificação e haja, ainda, pessoas desaparecidas. Apesar da dimensão desta tragédia, hoje ela é pouco lembrada pela população. Em seu livro ‘O espetáculo mais triste da terra’ Mauro Ventura cita um comentário feito pelo médico Humberto Mauro Rodrigues.

No princípio, foi uma convulsão mundial. Depois, nacional. Mais tarde, estadual. Em seguida, municipal. […] Até que finalmente passaram a dizer: “Esquece isso de circo. Vocês só falam sobre esse assunto. Vamos falar de futebol”. (Ventura, 2011)

               

Fotos da arquibancada e do picadeiro do Gran Circo Norte-Americano após o incêndio de 1961.

Referências

Negrisolo, Walter. A Caracterização do “Perfil de Risco de Incêndio” no Brasil e a Nova Minuta da NBR 9077/2018 – Saída de Emergência em Edifícios [Periódico] // SCIER / ed. Incêndio Firek Segurança Contra. – 2018.

Ventura, Mauro. O Espetáculo Mais Triste da Terra: O Incêndio no Gran Circo Norte-Americano [Livro]. – São Paulo : Companhia das Letras, 2011.

Como referenciar este texto:
Minervino, Bernardete. Gran Circo Norte-Americano – 1961. Segurança Contra Incêndio, 2023. Disponível em: https://segurancacontraincendio.com/historico-de-incendios/

O Edifício Andraus foi um dos primeiros arranha-céus construídos da cidade de São Paulo. Inaugurado em 1962, tem um total de 32 andares, com escritórios e salas comerciais onde funcionavam seções administrativas de várias empresas, dentre elas a Petrobras, a Shell e dez companhias de seguro. Também havia, na edificação, uma unidade das Casas Pirani, uma das mais populares lojas de departamento de São Paulo, que ocupava os quatro primeiros andares do prédio, incluindo o 3º andar, onde o fogo teve início.

O Incêndio começou pouco depois das 16h do dia 24 de fevereiro de 1972, devido a um curto circuito no 3º andar.

O prédio tinha apenas uma escada de emergência, que ficou rapidamente tomada por fumaça. Como havia um heliponto no terraço, muitas pessoas decidiram subir para aguardar o resgate no último andar imaginando ser este um local seguro para aguardar que o incêndio fosse controlado.

As condições meteorológicas eram favoráveis para o resgate aéreo naquele dia, pois havia um vento forte e constante que soprava as chamas para uma das faces do prédio, deixando a face oposta mais livre da fumaça. Embora este mesmo vento tenha contribuído para a propagação mais rápida do incêndio, foi também decisivo para possibilitar o resgate das vítimas na cobertura do prédio. Este foi o motivo pelo qual foi possível fazer o resgate das pessoas no terraço utilizando helicópteros. O que não ocorreu no incêndio do Edifício Joelma, dois anos depois.

Vários pilotos de helicóptero na cidade foram voluntários para ajudar no resgate, totalizando mais de 700 pessoas resgatas do terraço. O vento possibilitou o resgate pelos helicópteros, mas isso não significa que as condições fossem favoráveis ou seguras para este tipo de operação. Os pilotos tiveram que driblar a neblina e a fumaça que alterava a densidade do ar e dificultava o voo das aeronaves e ainda comprometia o campo de visão dos pilotos.

A tragédia do Andraus foi na época, a primeira grande tragédia transmitida ao vivo pela televisão brasileira, e as cenas horríveis de pessoas se jogando das janelas do edifício chocaram o Brasil e o mundo. Ao final do incêndio foram contabilizadas 16 vítimas fatais e 330 feridos

Após o incêndio começara a ser estudadas medias de proteção que iriam compor as normas de segurança contra incêndio a partir de então. O dimensionamento das saídas de emergência, a estanqueidade e incombustibilidade das caixas de escada, a inclusão de portas corta-fogo e a compartimentação horizontal e vertical das edificações são medidas que começaram a ser estudadas para evitar outras tragédias como esta, no futuro. Infelizmente, essas medidas não foram implementadas a tempo de impedir outro grande incêndio dois anos depois, no Edifício Joelma.

       

 Edifício Andraus durante o incêndio de 1972

Referências

Beni, Eduardo Alexandre. Os heróis existem – O incêndio no Edifício Andraus. Piloto Policial: 2011. Disponível em: https://www.pilotopolicial.com.br/os-pioneiros-do-salvamento-o-incendio-do-edificio-andraus/

Banco de Dados Folha. A salvação veio dos céus. Acervo on line. Publicado na Folha de s. Paulo em 25 de fevereiro de 1972. Folha de São Paulo: 1972. Disponível em: http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_25fev1972.htm

Como referenciar este texto:
Minervino, Bernardete. Edifício Andraus – 1972. Segurança Contra Incêndio, 2023. Disponível em: https://segurancacontraincendio.com/historico-de-incendios/

O Edifício Joelma foi inaugurado em 1971, no centro de São Paulo. A edificação tinha 19 andares de escritórios e salas comerciais e 6 andares de garagem, totalizando 25 pavimentos. Na data do incêndio, o prédio inteiro era ocupado pelo Banco Crefisul.

O incêndio começou com um curto circuito em um aparelho de ar-condicionado no 12º andar, por volta das 8h45 do dia 1º de fevereiro de 1974. O fogo alastrou-se rapidamente devido à compartimentação horizontal feita por divisórias de madeira, os pisos acarpetados, as cortinas de tecido e os forros internos feitos de fibra sintética. O corpo de bombeiros chegou em 10 minutos e iniciou o combate ao incêndio, mas a esta altura as escadas já estavam tomadas pela fumaça e algumas pessoas já estavam encurraladas pelas chamas e começavam a se jogar das janelas do prédio.

Influenciadas pelo incêndio ocorrido no Edifício Andraus, dois anos antes, as pessoas que não conseguiram descer pelas escadas decidiram subir para o terraço, na esperança de serem resgatadas de helicóptero, como aconteceu no incêndio de 1972. Porém, as condições deste incêndio eram bastante diferentes. As características construtivas do Joelma e a ausência de compartimentação horizontal e vertical fizeram com que o incêndio se propagasse muito mais rápido e as condições meteorológicas naquele dia sem vento impediram o resgate pelo terraço. Isso explica, em parte, o grande número de vítimas fatais no Joelma.

O resgate de helicóptero pelo terraço não foi possível porque a ausência de vento fez com que as chamas e os gases quentes subissem diretamente para cima, tornando impossível a aproximação das aeronaves para resgate.

Outro aspecto característico deste incêndio foi a grande quantidade de pessoas que se jogaram das janelas, mesmo de andares muito altos, por não conseguirem esperar o resgate ou por terem sido encurraladas pelas chamas. O desespero destas pessoas era acompanhado pela multidão que assistia impotente do lado de fora.

Este incêndio resultou na morte de 191 pessoas e mais de trezentas ficaram feridas.

Após o incêndio o prédio ficou fechado por 4 anos para reforma e foi reinaugurado em 1978, rebatizado de Edifício Praça da Bandeira. Até hoje é considerado assombrado pelas vítimas do incêndio.

   

O incêndio no Edifício Joelma levou a uma iniciativa de um trabalho conjunto entre a ABNT, o Corpo de Bombeiros e a Prefeitura do estado de São Paulo, para estudar e desenvolver normas de proteção contra incêndio. Deste trabalho em conjunto surgiram documentos como o Decreto nº 10.878 (São Paulo, 1974), que instituiu normas para a segurança contra incêndio em edifícios na cidade de São Paulo e o Projeto de Lei 1.919/1974 (BRASIL, 1974), que fez o mesmo a nível nacional. A ABNT estava em processo de elaboração de uma norma de saídas de emergência para edificações altas, a NB 208 (ABNT, 1974), desde 1971, mas esta norma só passou a ser implementada após o incêndio de 1974. (SEITO, et al., 2008)

Medidas hoje consideradas óbvias e corriqueiras só começaram a ser implementadas depois do incêndio no Joelma, como, por exemplo:

  1. A exigência de que os hidrantes urbanos deveriam permanecer em locais estratégicos, fincando a, no máximo, 30 metros do edifício;
  2. A exigência de que as tomadas de água deveriam ter conexões compatíveis com as mangueiras dos corpos de bombeiros e que fossem independentes do reservatório de água da edificação;
  3. A compartimentação interna da edificação deveria resistir a, no mínimo, 4 horas de fogo;
  4. A exigência de que todas as paredes externas deveriam ser construídas com material a prova de fogo;
  5. A proibição do uso de materiais combustíveis nas coberturas dos prédios; dentre outras.

Referências

Caiafa, Roberto. 44 anos do Incêndio no Edifício Joelma, centro de São Paulo. Tecnologia & Defesa: 2018. Disponível em: https://tecnodefesa.com.br/44-anos-do-incendio-no-edificio-joelma-centro-de-sao-paulo/

CBMMS. Um dos maiores incêndios em edificações ocorridos no Brasil completa 44 anos. Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul: 2018. Disponível em: http://www.bombeiros.ms.gov.br/completou-44-anos-nesta-quinta-feira-um-dos-fatos-mais-assustadores-da-historia-do-brasil-que-foi-o-incendio-no-edificio-joelma-em-sao-paulo/

Seito, Alexandre Itiu et al. A Segurança Contra Incêndio no Brasil [Livro]. – São Paulo : Projeto Editora, 2008. – p. 496.

Previdelli, Fabio. Há 46 anos, o Edifício Joelma era alvo do maior incêndio acidental em um arranha-céu. Aventuras na História: 2020. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-incendio-do-edificio-joelma.phtml

Como referenciar este texto:
Minervino, Bernardete. Edifício Joelma – 1974. Segurança Contra Incêndio, 2023. Disponível em: https://segurancacontraincendio.com/historico-de-incendios/

A Boate Kiss era uma casa de espetáculos localizada na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul. A boate tinha uma área de 600m² com duas pistas de dança e uma área vip e a lotação máxima permitida pelas normas de segurança era de 740 pessoas na área de público e 29 pessoas nas áreas de apoio, ou seja, 769 pessoas. No entanto, os relatos constantes nos autos da investigação apontam que havia entre 1000 e 1400 pessoas na boate na hora do incêndio.

Embora se tratasse de uma edificação térrea, assim como ocorreu no Gran Circo Norte-Americano (1961), a concentração de um grande número de pessoas em um ambiente com muito material combustível e saídas de emergência mal dimensionadas e mal sinalizadas contribuíram para o elevado número de vítimas.

O fogo começou por volta das 3h da manhã do dia 27 de janeiro de 2013. Era madrugada de domingo e a boate estava superlotada. O vocalista da banda Gurizada Fandangueira, durante a apresentação, acendeu um artefato pirotécnico inadequado para ambientes fechados, que iniciou o incêndio na espuma utilizada como isolamento acústico da boate instalada no teto e nas paredes.

O ambiente escuro e barulhento dificultou que as pessoas entendessem rapidamente a gravidade do que estava acontecendo. A espuma se inflamou rapidamente e gerou uma fumaça extremamente tóxica que fez com que muitas pessoas desmaiassem antes de conseguirem chegar à saída. Além disso, as saídas não eram suficientes dar vazão ao fluxo de pessoas e estavam bloqueadas por estruturas como barreiras e degraus que dificultaram a passagem das pessoas em fuga.

Muitos ainda se confundiram com a luz interna instalada no teto do banheiro, foram nesta direção supondo ser a saída e acabaram ficando presos no cômodo. Há relatos de que os seguranças da boate demoraram para perceber o incêndio e por isso ainda dificultaram a saída das pessoas, em um primeiro momento.

Este incêndio resultou em duzentas e quarenta e duas pessoas mortas e seiscentas e oitenta pessoas feridas.

A ilustração a seguir, feita pelo jornal Zero Hora, mostra a dinâmica do que aconteceu naquela noite de janeiro de 2013.

Em 30 de março de 2017 foi publicada a Lei Federal nº 13.425, que estabelece diretrizes gerais e ações complementares sobre prevenção e combate a incêndios e desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de reunião de público. (BRASIL, 2017)  Popularmente conhecida como Lei Kiss, foi elaborada como uma resposta ao incêndio ocorrido em 2013 e iniciou um processo de padronização das normas referentes à prevenção e combate a incêndio, o qual ainda continua em discussão entre os corpos de bombeiros e os governos estaduais.

Referências

CREA-RS. Apresentação de Relatório Técnico. Comissão Especial – Incêndio Boate Kiss. Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura: 2013. Disponível em http://www.al.rs.gov.br/FileRepository/repdcp_m505/ComEspContraIncendio/AP_%2004_03_%20Luiz_Carlos_Pinto.pdf

SSP-RS. Relatório Final. 1ª Delegacia de Santa Maria-RS. Polícia Civil: 2013.

Zero Hora. Boate Kiss. Disponível em:  http://ibape-nacional.com.br/site/wp-content/uploads/2013/01/boate-kiss-zerohora.jpg

Como referenciar este texto:
Minervino, Bernardete. Boate Kiss – 2013. Segurança Contra Incêndio, 2023. Disponível em: https://segurancacontraincendio.com/historico-de-incendios/

Em 14 de junho de 2017,  um curto circuito em uma geladeira provocou um incêndio que destruiu um edifício de vinte e quatro andares em North Kensington (Londres/Inglaterra) resultando em 72 vítimas fatais.

A Grengell Tower foi projetada para que um incêndio que ocorresse em um dos apartamentos ficasse confinado neste local por tempo suficiente para a ação dos bombeiros, não se espalhando internamente para os corredores e outros ambientes. Sendo assim, muitos moradores foram orientados a permanecer em casa mesmo após o alarme de incêndio ter sido acionado.

O corpo de bombeiros levou cinco minutos para chegar ao local e começar a realizar o combate ao incêndio no apartamento. O fogo começou na cozinha, próximo da janela e se manteve concentrado neste cômodo até a chegada do corpo de bombeiros. Mas chamas saíram pela janela e atingiram o revestimento da fachada da edificação. Foi pela fachada que o fogo se espalhou para os outros andares, atingindo os demais apartamentos pelo lado de fora.

A edificação foi construída em 1970, mas tinha passado por uma reforma um ano antes do incêndio, quando toda a fachada foi refeita. O revestimento externo era feito de folhas de alumínio ligadas a um núcleo central de plástico (polietileno). O material utilizado na fachada era o ACM (material composto de alumínio) que possui uma carga de polietileno altamente combustível que, quando queima, derrete e escorre a uma temperatura elevada, liberando grande quantidade de energia. Além disso, havia, ainda, um painel de isolamento de espuma de polímero de poliuretano, que já fazia parte da fachada anterior e que foi mantido na reforma. As imagens abaixo mostra a evolução do incêndio pela fachada da edificação.

A investigação também apurou que o sistema de exaustão de fumaça não estava funcionando e que o suprimento de água para o combate ao fogo não foi adequado.

A Grenfell Tower abrigava uma comunidade multiétnica no bairro de Kensington e Chelsea e fazia parte de um complexo de moradias sociais que comporta quase mil casas, o Lancaster West Estate. Havia 129 apartamentos em 21 andares residenciais e três níveis de uso misto.

A tragédia provocou o debate político sobre as desigualdades sociais em Londres e sobre a negligência na fiscalização das habitações sociais, que contribuiu para a gravidade do incêndio.

Como resposta a esse incêndio, autoridades governamentais da Inglaterra ordenaram um levantamento para identificar as edificações que possuem o mesmo tipo de fachada e ainda estudam soluções para contornar o problema do comportamento dos painéis de alumínio já instalados.

Referências

BBC News. Grenfell Tower: What happened. 2019. Disponível em https://www.bbc.com/news/uk-40301289

Globo O www.oglobo.com [Online]. Grenfell Tower: revestimento de prédios em Londres são inflamáveis. 2017. Disponível em:

https://oglobo.globo.com/mundo/grenfell-tower-revestimento-de-predios-em-londres-sao-inflamaveis-21505548

Como referenciar este texto:
Minervino, Bernardete. Grenfell Tower – 2017. Segurança Contra Incêndio, 2023. Disponível em: https://segurancacontraincendio.com/historico-de-incendios/

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